Então quer dizer que sou puta?
Então quer dizer que o número de pessoas que beijo, transo me define? Então quer dizer que a roupa que uso, o jeito que eu danço e jeito de falar é simplesmente errado e não é "jeito de mocinha"? Então quer dizer que tudo bem se você sair a noite, ficar com muitas pessoas, se vestir do jeito que bem entende e ainda ser aplaudido por isso no final da noite, mas se fosse ao contrário, ou até mesmo anos atrás, eu seria apedrejada? Antigamente com pedras, hoje em dia com palavras? Então quer dizer que tudo bem se eu for estuprada e vierem com o argumento de que "estava com roupas provocantes demais."?
Deixa eu contar um segredinho, queridos. NENHUMA MULHER ESTÁ PEDINDO PARA SER ABUSADA. Nem verbalmente, nem fisicamente. Então quer dizer que tudo bem você bater na sua esposa e se safar depois, porque estava bêbado? Sinceramente, só deveria ser mais um dos motivos para ela lhe deixar. Mas ela não o faz. Sabe por quê? Porque ela se sente com medo. Sim. Vocês nos deixam com medo. Aterrorizadas. Com medo de sair com uma roupa que gosto, de beijar quem eu quero, falar o que penso, porque logo depois disso, vem o rótulo de puta, biscate.
Não que liguemos para rótulos, queridos. Somos muito mais fortes que isso. AH, sim, somos fortes. É difícil de ouvir isso né? Conseguimos as vezes ser até mais fortes que vocês. Mas xingamento, cada: "Puta, biscate, estava pedindo" que sai da boca de vocês alimenta o ódio. Alimenta o medo que sentimos em simplesmente ser nós mesmas. E isso é inaceitável, do que adianta o homem conseguir ir a lua se não consegue mudar seu pensamento?
Então, queridos. Deixe-me contar outro segredo: O NÚMERO DE PESSOAS QUE EU BEIJO OU TRANSO NÃO ME DEFINE. Sabe aquela história de "O corpo é meu."? Então, ela é verdadeira. Você não define como vou me comportar, como vou me vestir, com quem vou ficar. Você não define quem eu sou.
Se ser puta é ficar com quem quiser, ser feliz usando a roupa que bem entender, ser verdadeira e simplesmente FAZER O QUE EU QUERO,
SIM, EU SOU PUTA. E garanto que tem muitas outras por aí que sabem como tudo isso dói.
Deixa eu contar um segredinho, queridos. NENHUMA MULHER ESTÁ PEDINDO PARA SER ABUSADA. Nem verbalmente, nem fisicamente. Então quer dizer que tudo bem você bater na sua esposa e se safar depois, porque estava bêbado? Sinceramente, só deveria ser mais um dos motivos para ela lhe deixar. Mas ela não o faz. Sabe por quê? Porque ela se sente com medo. Sim. Vocês nos deixam com medo. Aterrorizadas. Com medo de sair com uma roupa que gosto, de beijar quem eu quero, falar o que penso, porque logo depois disso, vem o rótulo de puta, biscate.
Não que liguemos para rótulos, queridos. Somos muito mais fortes que isso. AH, sim, somos fortes. É difícil de ouvir isso né? Conseguimos as vezes ser até mais fortes que vocês. Mas xingamento, cada: "Puta, biscate, estava pedindo" que sai da boca de vocês alimenta o ódio. Alimenta o medo que sentimos em simplesmente ser nós mesmas. E isso é inaceitável, do que adianta o homem conseguir ir a lua se não consegue mudar seu pensamento?
Então, queridos. Deixe-me contar outro segredo: O NÚMERO DE PESSOAS QUE EU BEIJO OU TRANSO NÃO ME DEFINE. Sabe aquela história de "O corpo é meu."? Então, ela é verdadeira. Você não define como vou me comportar, como vou me vestir, com quem vou ficar. Você não define quem eu sou.
Se ser puta é ficar com quem quiser, ser feliz usando a roupa que bem entender, ser verdadeira e simplesmente FAZER O QUE EU QUERO,
SIM, EU SOU PUTA. E garanto que tem muitas outras por aí que sabem como tudo isso dói.
SAMBA FEMINISTA
"Conceição,
faz uma ligação.
Fala com o seu Damião.
Diz que ele está sendo machista!
Que a moça não deve ser vista
só como passista de escola de Samba.
Que a Gabriela é uma advogada que ama a batucada
no fim-de-semana!
Também fala pro seu Damião
que ela pode amar quem quiser.
Que decidir o que faz de seu corpo
é um direito de toda mulher.
Se Gabriela largar o Estácio
para estudar é um direito que têm.
E não tem que aguentar cara feia de ninguém.
Também fala pro seu Damião
que não tem problema a mulher ganhar mais.
Que o mundo hoje já é outro,
bem diferente do que viveu seu pai.
A gente não conta piada machista
e nem diz a hora e lugar de mulher.
Ela tem o direito de andar só à noite se quiser.
Também tem um assunto final
que seria legal se você abordar.
Eita Homem que suja cueca
e ainda fica nervoso se a mulher não lavar.
Um parceiro leal tem que lavar a roupa,
limpar o banheiro e quando precisar.
E não chegar do batente,
com a barriga na frente, exigindo o jantar."
perdeu-se o encanto
de pouco a pouco foi se entregando sem saber. de pouco a pouco foi juntando-se em palavras. de pouco a pouco foi se afundando sem perceber. "entregue-se" eles diziam. "se permita" sussurravam. que mundo é esse em que entregar-se parece ser coisa tão simples? que mundo é esse em que se permitir é coisa fácil, coisa rotineira? "entregar-se para quem?" perguntava. "se permitir não é coisa fácil, sabia?!" sussurrava. olhou para o lado e sorriu. romântica tonta, cuspida pela vida e desgraçada pela ilusão, achava que finalmente encontrou gente que goste mesmo da gente. que conheça, ame, goste, e que não deixa perder o encanto da vida. gente que você fica feliz de pensar, e não tem nada além de coisas bonitas para acrescentar em sua vida. "não se entregue. não se iluda. não se aproxime. não ame. não goste. não sinta, pelo amor de deus!" a razão dizia. "se permita, não deixe de viver, de acrescentar" a outra parte dizia. e pouco a pouco foi descobrindo-se. e sabendo o que fazer. o que falar. como agir. como se importar. permitiu-se. gostou. amou. encantou. mas como tudo que já lhe aconteceu, a razão lhe frustrou. a razão estava sensata. a razão deveria ter falado mais alto.
de pouco
a pouco
foi juntando-se
em
um monte
e amou, sentiu,
se permitiu.
mas desabou.
e perdeu-se o encanto
do que já deveria
ter perdido-se
ontem.
de pouco
a pouco
foi juntando-se
em
um monte
e amou, sentiu,
se permitiu.
mas desabou.
e perdeu-se o encanto
do que já deveria
ter perdido-se
ontem.
Morte, amiga mais que querida.
Você vê a vida passar e não espera por mais.
Você olha para o relógio que só marca a hora do seu fim.
Vê tudo que deixou de ser e que jamais será.
Tudo começa, meu amigo. Assim como tudo acaba.
Não tente burlar a regra universal.
Do útero, a vida, da vida, ao pó.
Quem é você, criatura, que me acompanha sem dó.
Bom seria se dissesse: "Sou a sorte, que lhe acompanha desde bebê."
Realidade se dissesse: "Sou a morte, que veio para levar você."
E como tudo de bom que já me aconteceu, o mal sempre é o melhor.
Não lhe temerei, morte, minha amiga.
Lhe vejo como nada mais que uma parte de mim mais que querida.
Que há de morrer para poder renascer.
Lhe convido a minha morada, lhe faço um café.
Sente aqui. minha amiga. Quem hoje me leva é você.
E quando a hora chegar e do fim estiver.
Convide minha alma,
Entorpeça meus sentidos,
Faça de mim sua bebida,
de momentos e de êxtase,
Ingeridos pelo extintos,
Molhados pelo vinho,
Devorados pelo desdém.
Lhe aguardo, morte querida,
E fico triste se você não vem.
Eu era muito humana para toda sua exatidão.
Você vai acordar em em uma segunda-feira de manhã e não conseguir levantar da cama. Vai olhar para o relógio que só marca uma hora, virar de novo e não se importar. Vai perceber que não tem nada arrumado e limpo no seu quarto. Nem na sua vida. Vai ser forçado pelos raios que refletem na sua janela a levantar. Levanta. Vai beber o café de semana passada com preguiça de preparar um novo. São todos iguais, não é? Pessoas e cafés, são todos iguais. Com o tempo vão estragando. Vai perceber que está atrasado e não se importa. Tudo em sua volta gira por conta de três noites maus dormidas. Você finalmente chega no trabalho, mas não há ninguém. Todos já foram embora há tempos atrás. Não restou nada na sua mesa além de uma carta escrita:
"Acabou, Carlos. Você finalmente está sozinho. Não era isso que queria afinal de contas? Se isolar de todo o mundo. Ninguém era bom o suficiente para você. Para toda essa sua exatidão. Quer saber de uma coisa, Carlos? algumas pessoas são humanas demais para toda essa sua exatidão. Ache agora, Carlos, a equação da vida. A equação que fará o seu café fresquinho mais uma vez, seu quarto arrumado e suas noites bem dormidas."
Você lê. Acha insignificante. Vocês repararam quantos erros gramaticais em uma carta só? Quem escreveu devia ser um total idiota. Você pensa e senta. Abre o computador mas não há sinal. Nem de internet, nem de vida. Você lembra que já existiu pessoas ali. Algumas não tão trouxas. Você lembra da Lilian que te fazia o café exatamente do jeito que você gosta. Mas, cadê Lilian? Você sabe que Lilian era boa demais em gramática para escrever uma carta daquela. Mas, cadê Lilian? Aliás, cadê aquelas outras pessoas que trabalhavam aqui? Se é que se pode chama-los de pessoas, inúteis.Você está cansado de pensar. Deita no chão do escritório. Olha para a Janela. Você nunca se importou com o canto dos pássaros mas agora nem ouvir os ouve mais. Você vê caos. sujeira. Você não vê o mundo. Você se vê. Você se lembra por quê não fazia café há semanas. Meu deus, cadê Lilian? Você se lemba porque não consegue se levantar da cama, não sem Lilian.Cadê você, Lilian? Você se lembra quem te fazia não perder a hora. Cadê Lilian? Você sabe quem deixou a carta. E quem te deixou. Lilian. Você sabe que não há erros gramaticais. Você procura desesperado por um. Não acha. Lê novamente e percebe que não há algum. Meu deus, era Lilian.
"Acabou, Carlos. Você finalmente está sozinho. Não era isso que queria afinal de contas? Se isolar de todo o mundo. Ninguém era bom o suficiente para você. Para toda essa sua exatidão. Quer saber de uma coisa, Carlos? algumas pessoas são humanas demais para toda essa sua exatidão. Ache agora, Carlos, a equação da vida. A equação que fará o seu café fresquinho mais uma vez, seu quarto arrumado e suas noites bem dormidas."
Você lê. Acha insignificante. Vocês repararam quantos erros gramaticais em uma carta só? Quem escreveu devia ser um total idiota. Você pensa e senta. Abre o computador mas não há sinal. Nem de internet, nem de vida. Você lembra que já existiu pessoas ali. Algumas não tão trouxas. Você lembra da Lilian que te fazia o café exatamente do jeito que você gosta. Mas, cadê Lilian? Você sabe que Lilian era boa demais em gramática para escrever uma carta daquela. Mas, cadê Lilian? Aliás, cadê aquelas outras pessoas que trabalhavam aqui? Se é que se pode chama-los de pessoas, inúteis.Você está cansado de pensar. Deita no chão do escritório. Olha para a Janela. Você nunca se importou com o canto dos pássaros mas agora nem ouvir os ouve mais. Você vê caos. sujeira. Você não vê o mundo. Você se vê. Você se lembra por quê não fazia café há semanas. Meu deus, cadê Lilian? Você se lemba porque não consegue se levantar da cama, não sem Lilian.Cadê você, Lilian? Você se lembra quem te fazia não perder a hora. Cadê Lilian? Você sabe quem deixou a carta. E quem te deixou. Lilian. Você sabe que não há erros gramaticais. Você procura desesperado por um. Não acha. Lê novamente e percebe que não há algum. Meu deus, era Lilian.
cantiga para isa(bela)
moça mulher, que vive a cantar.
poderia algum ser.
ser tão sortudo ao conseguir lhe encantar?
esse é um conto que conto para a Isabela,
que é mais Bela do que Isa.
engano seria dizer que é sensível a qualquer olhar.
engano seria um dia lhe odiar.
entre contos e rimas que digo á você,
a mais bela das isas ao se ver.
sobre o mundo vil e o baile de outrora
você é do tipo que corrói a alma, cala-me a boca e desvia o olhar.
você é do tipo que não tem tipo, nem sequer permite falar.
abraçar- lhe a alma e nunca mais deixa-lo ir.
feliz é você quem sabe deixar. infeliz fui eu quem não soube amar.
deixe-o ir. mamãe dizia. deixa-lo ir não aconteceria. não aqui nesse mundo vil.
belíssimo baile, mesmo sem saber bailar fomos além.
me arrancaste a pele e devoraste o espírito. consumiu-me inteira em um movimento.
bem aventurada fui em meu desatento. desatento divino que levou até você.
levou a alma corroída que deixaste permanecer,
agora vivo desacreditado tentando lhe achar.
esperando ansiosamente a mais bonita morte me buscar.
você é do tipo que não tem tipo, nem sequer permite falar.
abraçar- lhe a alma e nunca mais deixa-lo ir.
feliz é você quem sabe deixar. infeliz fui eu quem não soube amar.
deixe-o ir. mamãe dizia. deixa-lo ir não aconteceria. não aqui nesse mundo vil.
belíssimo baile, mesmo sem saber bailar fomos além.
me arrancaste a pele e devoraste o espírito. consumiu-me inteira em um movimento.
bem aventurada fui em meu desatento. desatento divino que levou até você.
levou a alma corroída que deixaste permanecer,
agora vivo desacreditado tentando lhe achar.
esperando ansiosamente a mais bonita morte me buscar.
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