Morte, amiga mais que querida.




Você vê a vida passar e não espera por mais.
Você olha para o relógio que só marca a hora do seu fim.
Vê tudo que deixou de ser e que jamais será.
Tudo começa, meu amigo. Assim como tudo acaba.
Não tente burlar a regra universal.

Do útero, a vida, da vida, ao pó.
Quem é você, criatura, que me acompanha sem dó.
Bom seria se dissesse: "Sou a sorte, que lhe acompanha desde bebê."
Realidade se dissesse: "Sou a morte, que veio para levar você."
E como tudo de bom que já me aconteceu, o mal sempre é o melhor.

Não lhe temerei, morte, minha amiga.
Lhe vejo como nada mais que uma parte de mim mais que querida.
Que há de morrer para poder renascer.
Lhe convido a minha morada, lhe faço um café.
Sente aqui. minha amiga. Quem hoje me leva é você.

E quando a hora chegar e do fim estiver.
Convide minha alma,
Entorpeça meus sentidos,
Faça de mim sua bebida,
de momentos e de êxtase,
Ingeridos pelo extintos,
Molhados pelo vinho,
Devorados pelo desdém.
Lhe aguardo, morte querida,
E fico triste se você não vem.