E novamente.
E novamente, acordou. Acordou com a esperança que o dia seria melhor ao anterior, que as flores ainda eram bonitas e que os pássaros cantavam lá fora, crianças brincavam livres sem preocupações e que ainda lhe restava um motivo para acordar. E novamente olhou ao espelho e viu que não era mais a mesma, que tudo de bom que lhe restava, acabou. E novamente vestiu-se como indigente, pois não se importava com a opinião alheia. E novamente fez todos acreditarem que estava bem, com um sorriso infame. E novamente, todos acreditaram. Só restavam feridas que nunca se cicatrizariam, nem com o remédio mais forte inventado. E novamente viu que estava só, todos que amava, deixaram-a. Mas isso não importava, ela estava acostumada a ficar sozinha. E cada dia acorda, suspira e encara tudo novamente.