sobre ser infantil, não se importar e as flores no caminho.

Eu não me importo se sou infantil. Eu não me importo se sou criança. Não me importo em assistir "Enrolados" mil vezes e esperar mil anos um príncipe como o José bezerra. Não me importo de ir ao cinema sozinha só pra sentir a emoção do filme bem de pertinho. Não ligo de chorar por coisas bobas. Não me importo de chorar por filmes bobos. Mas eu me importo por ter perdido meu desenho preferido, por ter visto um filme da Bela e a fera ou  até mesmo vendo fotos antigas. Não me importo de ter fotos bobas espalhadas pelo meu quarto e encher meu teto de piscas-piscas natalinos. Não me importo de subir no telhado só para ficar admirando as estrelas e a lua e imaginando quem foi cada uma daquelas estrelinhas e a história de vida de cada uma delas. Não me importo de ter milhões de poemas e uma portinha para Nárnia. Que sinceramente, eu espero que um dia se abra para mim. Eu ainda espero minha carta de Hogwarts. Qualquer coelho branco que vejo eu já acho que me levará ao País das maravilhas. Não me importo de me engasgar sozinha e depois ficar meia hora  rindo de mim. Não me importo de me arrumar toda para um encontro e a pessoa não aparecer, quem sabe ela não foi atingida por um raio ou um satélite caiu na cabeça dela. Não me importo de colorir meu cabelo com tinta temporária  por um dia e sair toda feliz por isso.  Não me importo de encontrar flores na rua e coloca-las no cabelo e criar uma personagem voltando para casa que vai encontrar alguém no caminho.  Não me importo de ser uma boba romântica infantil. Não me importo de ser eu mesma. Eu não me importo em amar incondicionalmente guaxinins porque eles são simplesmente lindos. Não me importo, sou impulsiva de mais e me machuco os outros ás vezes. Mas não me importo. Não me importo com ninguém. Eles também me machucam. Eu não me importo se quero aprender a tocar todos os instrumentos do mundo de uma vez. Não me importo se ainda quero conhecer Rita lee e Tom zé. Não ligo se minha voz é ruim ou boa, eu vou cantar e tocar porque eu amo cantar, tocar e pronto. Ninguém vai me dizer o contrário. Não ligo se atuo bem, vou continuar atuando porque é o que me faz mais feliz nesse mundo. Não ligo de colecionar pedrinhas e quando estiver com muitas guardadas, joga-las no rio. Não ligo de ter uma caixinha chamada "pequenas coisas que importam" porque pra mim são elas que realmente importam. Queria guardar muita coisa nessa caixinha, queria guardar até tanta gente bonita. Gente bonita por dentro sabe. Queria guardar até gente que já se foi, mas eles estão na caixinha bonita do meu coração. Eu não ligo de ser piegas. Não ligo de falar sem pensar e nem de dizer "Oi, tudo bem? Qual seu doce preferido?" Sem ao menos conhecer a pessoa na fila do meu ursinho de gelatina. Eu não me importo. Eu não me importo em pessoas insignificantes e nos desastres do mundo. Não me importo com o passado e com as coisas terríveis que o homem já fez e faz. Mas eu me importo com os olhares das esquinas, das padarias, das ruas e das praças. Me importo com a conversa com o velhinho da praça que já viveu tanto e eu nada. Esses velhinhos tem tanto a me contar e eu a ouvir. Se pudesse ficava o dia inteiro os ouvindo.  Eu me importo com o forró na praça dos velhinhos aos sábados e domingos que faça sol ou chuva, é a coisa mais bonitinha de se ver. Não me importo com sua aparência, não me importo com a sua idade e nem com a sua cor. não me importo se você gosta ou não de mim. Eu não me importo se você não gosta de como me visto ou do jeito que sou. Mas a vida é assim e infelizmente eu não vou mudar, vou continuar sendo a infantil que gosta de  guaxinins e que se veste de um jeito meio estranho vanguarda-hippie-hipster-modinha. Só  me importo com que você se importe com os pequenos detalhes porque eles somem. São tão efêmeros quanto os olhares das ruas. Eu não ligo de ser criança. Eu não ligo de ser infantil. Não ligo em pular os degraus da rua como se  tivesse quatro anos, de pisar na calçada só de uma cor e tomar o meu sorvete preferido. Não ligo de ser sozinha e não ligo de ter companhia. Na vida aprendi a lidar com os dois. Não ligo de sair na chuva sozinha só para sentir as gotas caírem, enquanto todos reclamam que a chuva acabou com o happy hour deles. Mas eu tenho o Sr. Guaxinim que nunca me abandona, um guaxinim de pelúcia que é meu xodó e que tenho certeza que sairia na chuva por mim. Eu sempre vou ser assim e me orgulho disso. Vou esperar meu José Bezerra e pessoas que não se importem em se molhar pra me ver. Eu não me importo em ser estranha, ser criança, infantil, em ser eu mesma. Se pudesse voltava aos meus sete anos onde vivia no país das maravilhas e não sabia. Mas infelizmente não posso. Não me importo quando falam que sou de lua até porque eu sou apaixonada pela lua. Não me importa se sou de "tudo ou nada" porque é assim que sou. Não me importo se viajo lá pela lua e fico lá ás vezes e não ouço ás pessoas.  Elas entendem isso como grosseria, quando todos falam "Acorda, Mariana!" (O que me lembra minha musica preferida, Space Oddity) ás vezes só não quero acordar e não me importo. E se for para ser tudo ou nada será tudo ou nada porque assim eu sou. Quando me chamarem de infantil levarei como o mais bonito elogios porque a infância se vai mais  rápido que o sorvete que derrete aos sete anos. Já aos quinze, as dores demoram mais tempo para passar á que espera do papai noel que nunca chegava. Não me importo de ser eu mesma. E muito menos de ser criança e infantil, porque isso era o que eu mais queria ser. O que eu mais queria voltar a ser. Todo o fracasso e expectativa dos sete anos já se foi. Não, você não se tornou  uma princesa da Disney e muito menos foi ao País das maravilhas, mas o mais importante é que você se importou com as coisas que realmente importam. Sim, você é infantil. Sim, você é uma criança. Mas esses são detalhes que me relembram tudo de bom que foi ser criança e espero que essa infantilidade nunca passe e morra dentro de mim. Pois eu fui e ás vezes sou a criança mais feliz do mundo.