Sobre querer ser invisível



"Eu sei que você tem medo de não dar certo
Acha que o passado vai estar sempre perto
E que um dia eu vou me arrepender
E eu quero que você não pense em nada triste
Porque quando o amor existe
O que não existe é tempo pra sofrer"

Talvez seja drama de adolescente, talvez não, é drama de adolescente. Mas essa amargura dentro de mim não me deixa escrever, não me deixa viver, nem usar as palavras que queria. 
A angústia, o medo, a perseguição em que sinto ao olhar no espelho, o jeito em que as pessoas me olham na rua, o meu jeito. Meu jeito é estranho e sempre foi. Sempre fui como roda-gigante.
Uma das mais belas recordações que tenho era de que quando criança, ir á roda-gigantes, e então, eu sentia que o mundo era tão pequeno e as pessoas menores ainda. Acho que daí que começou todo o drama adolescente, ou não. 
Lembro-me que estava só eu e minha Jane, meus pais estavam lá embaixo nos esperando. Eu acenava para eles, como: "Oi, eu estou aqui!" Mas eles não viam. Jane explicou: "Eles não podem lhe ver, estamos muito longe." E eu pensava: mas por quê? Por que estamos tão longe e tudo é tão pequeno? Por que ninguém pode me ver, ninguém nunca pode me ver? Se for assim, não quero ficar nesse lugar em que não podem me ver. Qual é a graça de estar á cima de todos e ao mesmo tempo ser invisível? 
Eu queria ser vista, e como queria. Queria passar na rua e todos olharem, queria que o mundo estivesse aos meus pés. Eu era a criança mais narcisista e egocêntrica da face da terra.  
Mas agora, agora tudo mudou. Prefiro não ser vista, não ser olhada e muito menos que alguém esteja aos meus pés. Só quero ser eu mesma, sem pressão, sem ressentimentos, sem ninguém para me dizer o que tenho ou não que fazer. Quero ser quem eu sempre quis: Eu mesma! 
E quero ser como uma roda-gigante, tendo meus autos e baixos, mas sem nunca desmoronar (ao menos que seja um parque bem fajuto e a roda-gigante desmorone).
Ontem fui á uma roda-gigante, e no ápice dela pensei: Isso é felicidade. Ser invisível.